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o outro.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

caixões confortáveis

O poeta escreve porque seu coração está em agonia.
Cansou de tossir pedaços do pulmão e sangue, na pia.
Sente falta de algo que não bate mais em seu peito, que ironia.
Há bem pouco tempo sorria sinônimos de alegria.

Ele sofre calado, a dor sufoca, mata por asfixia.
É pior do que ser abusado pelo santo padre.
Em solo sagrado,
Na sacristia.

Quem olha de fora, acha idiota, vira a cara, ri.
Quando me perguntam o que houve? Respondo: morri.
Digo que o destino é um tratante.
E que cansei dessa vida de roda gigante.

Quero tomar café ao teu lado.
Fazer compras no supermercado.
Saber das paixões do teu avô.
Aquele velho safado.

Vamos terminar o que começamos.
Nem que para isso eu espere anos.
Sei de uma clínica que congela cadáveres.
Os caixões são até confortáveis.

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