O poeta escreve porque seu coração está em agonia.
Cansou de tossir pedaços do pulmão e sangue, na pia.
Sente falta de algo que não bate mais em seu peito, que ironia.
Há bem pouco tempo sorria sinônimos de alegria.
Ele sofre calado, a dor sufoca, mata por asfixia.
É pior do que ser abusado pelo santo padre.
Em solo sagrado,
Na sacristia.
Quem olha de fora, acha idiota, vira a cara, ri.
Quando me perguntam o que houve? Respondo: morri.
Digo que o destino é um tratante.
E que cansei dessa vida de roda gigante.
Quero tomar café ao teu lado.
Fazer compras no supermercado.
Saber das paixões do teu avô.
Aquele velho safado.
Vamos terminar o que começamos.
Nem que para isso eu espere anos.
Sei de uma clínica que congela cadáveres.
Os caixões são até confortáveis.

Augusto dos Anjos deve estar com inveja de ti agora meu...
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