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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

crônicas do amor zumbi

Como pode a paixão desaparecer? Como podem 6 milhões de pessoas morrer? Simples. O tempo faz o passado desvanecer. Como nas fotos de um século atrás, quem estava ao seu lado, jaz. Conta a lenda que numa noite de lua cheia, negro segurando caveira, entoava lúgubre canção. Ouvi dizer que implorava, com a voz calada de mágoa, por reencarnação. Horríveis criaturas dessas de alma escura remoendo amargura, deram atenção. Do que se trata, humano sem graça. Trouxe consigo alguma carcaça em putrefação? Ou sangue de padre que com crianças obtém satisfação? Sabe, o que pede exige bom pagamento, ou volto para escuridão. Não, espere atroz criatura, deixe explicar minha tortura. Fale, pacote carne e osso, mas seja rápido antes eu abra o teu pescoço. Pois sim: me dê uns minutos, eu conto o que aconteceu pra mim. Há muitos anos conheci meu fiel escudeiro, de beleza e barriga tão vasta quanto o alaska. Sua pele era branca como a neve, sua saliva queimava mais que lava. Tinha os olhos do falcão e, quando beijava, dava, o mais puro amor do coração. Mas num dia de verão veio vento veloz, cruel menino, e o levou pela mão. Por isso, hoje eu peço que interfira no destino, faz bater no meu peito um sentimento divino. Cura a ferida e ressuscita minha paixão. Tira da artéria a miséria da solidão. Em troca, só minha alma posso oferecer. Humanos idiotas, sempre contando lorotas. Assine aqui e nem perca tempo tentando ler. Terá sua paixão de volta isso eu posso prometer, mas feliz, pobre diabo, nunca vai ser.

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