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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

nuvens de elefante

As nuvens são engraçadas. Agora pouco jurei ver elefantes, na verdade, duas manadas. Eles pareciam gigantes correndo em disparada. Não, olhando bem, não parecem paquidermes. Apenas um cachorro perdido procurando o dono. No seu latido dava pra ouvir o blues do abandono. Olha, lá vem uma ovelha de algodão. Fofa e linda, tem o gosto do anseio. Tão alta que posso pegar com a mão. Tão macia quanto teu seio. Ah, essas nuvens, vivem nos pregando devaneios. Por um momento achei ter visto a mulher que amei, mas o vento mostrou ser a espada justa de um rei. Aí vem outra. Alva e boba. Deixando o azul ainda mais exuberante. Repare quem vem dançando, nosso estimado elefante elegante.

Não deixe de olhar para as nuvens. É nelas que está a entrada para o céu. Não o paraíso, mas um mundo ainda mais lindo. Onde ficam as cordilheiras de mel e os bosques de amor verdejante. Ame, seja tolerante, beije beijos trovejantes, abrace seu amor como nunca antes. Mas quando o entardecer chegar, deixe a revoada de pássaros te levar. Porque é no céu de brigadeiro que a gente encontra o amor verdadeiro e não num sonho irreal. Afinal, tal qual os cumulus nimbus o amor nos tira do limbo. Nos faz levitar. Viu, se eu que sou cético não dúvido, porque você acha tão difícil de acreditar?

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